Eleições 2026: quem chegou ao Parlamento com deficiência, e quem defende a pauta sem ser PcD
As Eleições 2026 confirmaram algo que merece atenção: algumas pessoas com deficiência conseguiram transformar candidatura em mandato. Mas antes de apresentar os nomes, é preciso fazer uma distinção que o debate público frequentemente ignora.
Ser uma pessoa com deficiência e defender os direitos de pessoas com deficiência são coisas diferentes. As duas são importantes, mas representam experiências distintas. E misturar as duas categorias sem critério prejudica exatamente o público que esse tipo de cobertura deveria informar.
Esse texto separa as duas, com transparência sobre o que foi possível confirmar e o que ainda falta verificar.
Pessoas com deficiência eleitas
Marcos Pollon — Mato Grosso do Sul
Deputado federal reeleito, Marcos Pollon é uma pessoa autista. Participou de trabalhos relacionados à política nacional para pessoas com autismo e integrou a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A partir de 2027, continuará ocupando uma cadeira no Congresso, como pessoa com deficiência e com histórico de atuação na pauta.
Elika Takimoto — Rio de Janeiro
Deputada estadual reeleita para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com 135.271 votos, uma das maiores votações entre os deputados estaduais eleitos no estado. Elika se identifica publicamente como pessoa com deficiência auditiva e afirma que, desde jovem, utiliza próteses auditivas. Já incluía a pauta da deficiência em sua atuação e declarou que pretende continuar com temas de inclusão, educação, ciência, cultura e direitos sociais.
Cida Ramos — Paraíba
Deputada estadual reeleita para a Assembleia Legislativa da Paraíba, Cida Ramos é pessoa com deficiência física, teve poliomielite na infância e utiliza muletas. Sua trajetória política é marcada pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Entre os projetos recentes, apresentou proposta que estabelece a prevalência do laudo médico do candidato com deficiência em concursos públicos, impedindo que juntas médicas desconsiderem esse laudo sem fundamentação técnica adequada. É também autora de lei que garante a participação de pessoas com deficiência em peças publicitárias da administração pública da Paraíba.
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Parlamentares eleitos com atuação documentada na pauta PcD
Duda Salabert — Minas Gerais
Em 2026, apresentou o Projeto de Lei 2.412/2026, que propõe alterar a Lei Brasileira de Inclusão para estabelecer a capacitação de profissionais da educação para o atendimento de estudantes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento e outras condições neuroatípicas. onfirme essa condição.
Amom Mandel — Amazonas
Reeleito deputado federal com 119.006 votos. Na Câmara, participou da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e da comissão especial que discutiu a Política Nacional para Pessoas com Autismo. Apresentou requerimentos relacionados à educação de pessoas com deficiência, incluindo materiais acessíveis e Braille. Nome a ser acompanhado pela comunidade PcD durante a próxima legislatura.
Duarte Jr. — Maranhão
Eleito novamente para a Câmara com cerca de 141 mil votos. Seu material de campanha destaca leis e ações voltadas às pessoas com deficiência.
Aureo Ribeiro — Rio de Janeiro
Eleito para a Câmara dos Deputados com trajetória parlamentar que inclui participação em discussões sobre direitos de pessoas com deficiência. Nome a ser acompanhado durante a próxima legislatura para avaliar quais propostas voltadas à inclusão serão apresentadas e defendidas.
São Paulo, com uma ressalva importante
Kaká do Autismo — Álvaro Costa Vieira
Eleito deputado estadual para a Assembleia Legislativa de São Paulo com cerca de 74 mil votos. Sua atuação pública está diretamente relacionada à defesa de pessoas autistas e suas famílias, inclusão escolar, atendimento especializado e capacitação profissional estiveram entre as bandeiras de campanha.
Carlos Giannazi foi reeleito para a Alesp com trajetória que inclui temas de inclusão social e acessibilidade. Fernando Marangoni e Juliana Cardoso foram eleitos para a Câmara dos Deputados e estiveram entre as candidaturas acompanhadas por sua relação com temas de deficiência.
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O que vem depois da eleição
Dos 524 candidatos que declararam alguma deficiência nas Eleições 2026, alguns conseguiram transformar participação eleitoral em mandato. É um avanço real, e limitado ao mesmo tempo.
A eleição é o começo. O que vai determinar se essa representação se traduz em mudança concreta é o que acontece depois da posse: quais projetos são apresentados, quais recursos são destinados, quais comissões são ocupadas, como se vota quando o assunto envolve direitos de pessoas com deficiência.
Uma candidatura ligada à pauta PcD não garante, por si só, um mandato voltado a essa defesa. Da mesma forma, um parlamentar sem deficiência pode ter atuação relevante para o segmento.
O que garante resultado é acompanhamento, durante toda a legislatura, não só no dia da eleição.
Quem chega a 2027 — resumo
Pessoas com deficiência com mandato confirmado:
- Marcos Pollon — MS — autista — deputado federal reeleito
- Elika Takimoto — RJ — deficiência auditiva — deputada estadual reeleita
- Cida Ramos — PB — deficiência física — deputada estadual reeleita
Parlamentares com atuação documentada na pauta PcD:
Duda Salabert, Amom Mandel, Duarte Jr., Aureo Ribeiro, Carlos Giannazi, Kaká do Autismo, Fernando Marangoni e Juliana Cardoso, entre outros que ainda serão identificados conforme os resultados são consolidados.
Você acompanhou algum desses candidatos durante a campanha? Tem algum nome eleito com deficiência ou atuação na pauta PcD que deveria estar nessa lista? Conta nos comentários, e acompanhe o blog durante a legislatura para saber o que esses parlamentares estão fazendo de concreto.
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