Acessibilidade e Inclusão Social

Novo recurso da Uber para PcD: avanço real ou só começo?

A Uber lançou um novo recurso voltado para pessoas com deficiência e idosos: as Preferências de Partida. A ferramenta permite configurar, de forma automática, como o motorista deve sinalizar a chegada e como pode identificar o passageiro no ponto de encontro, sem precisar enviar mensagens a cada corrida.

Como funciona

Na seção de sinalização de chegada, o passageiro pode ativar uma ou mais opções: chamar o nome ao chegar, entrar em contato pelo aplicativo, piscar as luzes do veículo ou buzinar.

Na seção de identificação, é possível informar se usa óculos escuros e bengala branca, bengala, muletas, andador ou cadeira de rodas manual.

O acesso ao recurso é feito pelo caminho: Conta > Configurações > Acessibilidade > Preferências de Partida.

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O que ainda poderia melhorar

O recurso é um avanço, mas deixa algumas lacunas visíveis.

A lista de identificação não inclui cadeira de rodas elétrica, um item comum entre usuários com deficiência e que tem implicações práticas para o tipo de veículo necessário. Também não há opção para quem usa prótese, órtese ou dispositivos de comunicação aumentativa e alternativa.

Outro ponto: as opções de sinalização de chegada, piscar luzes, buzinar, ligar pelo app, são úteis, mas nenhuma delas resolve o problema de quem tem deficiência auditiva profunda e está aguardando em ambiente externo. Uma notificação com vibração intensa ou alerta visual direto na tela, com contagem regressiva de chegada, seria mais eficaz do que depender do som.

Por fim, o recurso ainda não contempla a possibilidade de o passageiro informar se precisa de tempo extra para embarque, uma necessidade real para quem usa cadeira de rodas, muletas ou tem mobilidade reduzida. Motoristas que não recebem essa informação podem cancelar a corrida achando que o passageiro não apareceu.

A funcionalidade é bem-vinda. Mas acessibilidade de verdade não é só adicionar opções em um menu, é garantir que essas opções resolvam os problemas reais de quem depende delas todos os dias.

uber

Conclusão

A Uber deu um passo importante. Mas quem usa o aplicativo no dia a dia sabe que ainda há muito caminho pela frente. Recursos de acessibilidade não podem ser tratados como diferencial, precisam ser prioridade.

Se você é PcD ou idoso, já usou o aplicativo da Uber? Conta nos comentários como foi a sua experiência.

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Vera Garcia

Paulista, pedagoga e blogueira. Amputada do membro superior direito devido a um acidente na infância.

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