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Maternidade Atípica em Dose Tripla: O Relato Sincero de Isabel Fillardis

Cuidar de um filho com deficiência ou com necessidades específicas não é simples. É uma jornada cheia de amor, mas também de cansaço, insegurança e muita luta. Essa realidade é vivida por muitas mulheres no Brasil, inclusive por mães famosas. A atriz Isabel Fillardis, conhecida por seu trabalho na televisão e no teatro, contou em entrevista ao apresentador Manoel Soares que é mãe atípica de três filhos neurodiversos.

Além de todos os desafios da maternidade, Isabel também enfrentou problemas de saúde sérios. Em entrevista ao portal UOL, ela revelou que em 2013 foi diagnosticada com câncer de língua. Anos depois, também desenvolveu uma doença dermatológica rara, que causou dores físicas e emocionais. Mesmo com esses obstáculos, ela seguiu firme, cuidando dos filhos e buscando equilíbrio entre a vida pessoal e a maternidade.

Sua história reflete as dificuldades que muitas mães de crianças com deficiência enfrentam todos os dias no Brasil.

A descoberta de que seria mãe atípica… três vezes

Isabel revelou que, recentemente, descobriu que seus três filhos são neurodiversos. Ou seja, o funcionamento do cérebro deles é diferente do padrão. O filho mais velho, Jamal, tem quase 21 anos e foi diagnosticado com Síndrome de West. Essa condição é um tipo raro de epilepsia que provoca espasmos e pode afetar o desenvolvimento da criança.

“É como se o cérebro da criança desse um ‘reset’”, explicou Isabel. “Se os espasmos não são controlados, ela perde o que aprendeu e não consegue evoluir.”

Cuidar de um bebê com esse diagnóstico já seria um grande desafio. Com o tempo, Isabel percebeu que os outros dois filhos também precisavam de atenção especial.

Kalel: diagnóstico de autismo e TDAH

O filho mais novo, Kalel, de 10 anos, foi diagnosticado com autismo. Mais tarde, também recebeu o diagnóstico de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade). Isabel conta que ele não conseguia acompanhar o ritmo dos colegas na escola. Além disso, tinha reações muito fortes a estímulos sensoriais. Um exemplo foi o barulho do vidro no banho.

“Ele urrava de medo da espuma do vidro”, lembrou a atriz.

Durante a pandemia, a situação se agravou. As aulas online dificultaram ainda mais a concentração e o comportamento de Kalel. Isso também aconteceu com muitas outras crianças neurodiversas nesse período.

Analuz: ansiedade silenciosa e a culpa que tantas mães sentem

A filha mais velha, Analuz, de 23 anos, recebeu o diagnóstico de transtorno de ansiedade. Durante anos, teve crises em silêncio. Ela não conseguia expressar o que sentia. Apenas mais tarde começou a fazer terapia e pediu ajuda.

“Ela teve uma crise, mas não conseguia me falar. E aí vem aquela pergunta: ‘Onde eu estava?’”, desabafou Isabel.
“E aí vem a culpa.”

Esse sentimento é comum entre mães atípicas. Muitas se sentem culpadas mesmo fazendo o possível pelos filhos. A sobrecarga emocional, o medo constante e a falta de apoio contribuem para esse sofrimento. A maternidade atípica exige muito — física e emocionalmente.

maternidade atípica

A maternidade atípica é real — e precisa de acolhimento

O relato de Isabel mostra que, mesmo sendo uma mulher conhecida e com acesso a recursos, ela enfrenta desafios semelhantes aos de muitas outras mães atípicas. Entre eles estão a dificuldade para conseguir diagnósticos, a demora para encontrar profissionais qualificados, e a ausência de apoio emocional. A sobrecarga é constante.

Mães como Isabel, como Silvia Abravanel, e como tantas outras que você não vê na TV, vivem lutando por seus filhos. Elas aprendem todos os dias, se reinventam, abrem mão de si mesmas. Tudo isso para garantir o básico: respeito, saúde e dignidade para suas crianças.

Essa luta não deveria ser solitária. O Brasil precisa ouvir, acolher e apoiar as mães atípicas. Isso deve ser feito com políticas públicas, inclusão escolar, acesso a terapias e espaços de escuta. Quando uma mãe é amparada, toda a família ganha qualidade de vida.

Se você é uma mãe atípica, saiba que não está sozinha. Sua luta é válida. Seu cansaço é real. E sua força, mesmo nos momentos de fragilidade, transforma o mundo.

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Vera Garcia

Paulista, pedagoga e blogueira. Amputada do membro superior direito devido a um acidente na infância.

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