Eleições 2026: 524 candidatos com deficiência e quase 2 milhões de eleitores PcD
O Brasil terá quase 2 milhões de eleitores com deficiência aptos a votar nas Eleições 2026. E 524 candidatos declararam ter algum tipo de deficiência ao registrar suas candidaturas.
Os dois números precisam ser lidos juntos, porque a distância entre eles diz algo importante sobre onde estamos na discussão de representatividade política de pessoas com deficiência.
O que os números mostram
Em 2022, 489 candidatos declararam ter deficiência. Em 2026, são 524, um aumento de aproximadamente 7,2%. Um crescimento real, mas modesto.
O eleitorado PcD cresceu de forma muito mais expressiva no mesmo período: de 1.381.348 eleitores em 2022 para 1.970.165 em 2026, um aumento de 42%.
Mais eleitores com deficiência. Proporcionalmente, menos candidatos.
Isso não permite concluir automaticamente quais são as causas dessa diferença, barreiras de acessibilidade, participação partidária, financiamento de campanha e estrutura eleitoral são fatores que exigiriam análises específicas. Mas o dado coloca uma pergunta legítima em cima da mesa: à medida que o eleitorado PcD cresce, como evolui a participação de pessoas com deficiência como candidatas?
Quem são os 524 candidatos
Os dados são autodeclarações feitas no registro de candidatura — não certificações médicas. Com essa ressalva, a distribuição por tipo de deficiência declarada é:
| Tipo de deficiência | Candidatos |
|---|---|
| Física | 208 |
| Visual | 112 |
| Auditiva | 59 |
| Outras categorias | 145 |
| Total | 524 |
A categoria “outras” reúne diferentes situações, incluindo candidaturas de pessoas que se declararam autistas.
O dado que mais chama atenção: candidatos autistas
Em 2022, 13 candidatos se declararam autistas. Em 2026, são 70, um crescimento expressivo que acontece justamente num contexto em que o número total de candidaturas caiu: de 29.262 em 2022 para 20.829 em 2026.
Dos 70 candidatos autistas, a maioria disputa cargos proporcionais: 39 concorrem a deputado estadual e 22 a deputado federal. Há ainda cinco candidatos à Câmara Legislativa do Distrito Federal, três a vice-governador e um a primeiro suplente.
Esse crescimento acompanha um período de maior visibilidade do autismo no debate público, e de avanços legislativos que reconheceram direitos específicos para pessoas autistas. O reflexo nas candidaturas é um sinal de que esse grupo está ocupando mais espaço político, mesmo que ainda de forma incipiente.
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Onde estão concentradas as candidaturas
A maior parte das candidaturas de pessoas com deficiência está nas disputas para deputado estadual e deputado federal, eleições proporcionais com grande número de vagas disponíveis em todo o país. Cargos majoritários como governador e senador, têm presença muito menor de candidatos PcD.
Sobre os partidos, um levantamento do R7 com dados do TSE apontou o Novo, com 50 candidatos, e o PT, com 47, entre os que têm maior número de candidaturas declaradas PcD. Mas esse dado precisa de contexto: número absoluto não diz, sozinho, qual partido oferece maior representatividade. Para uma comparação adequada, seria necessário considerar o tamanho de cada legenda, o total de candidatos e a distribuição por estado e cargo.
Quase 2 milhões de eleitores, com perfil diverso
O eleitorado PcD nas Eleições 2026 tem o seguinte perfil segundo o TSE:
- 617.996 eleitores com deficiência de locomoção
- 319.489 com deficiência visual
- 182.341 com deficiência auditiva
- 64.851 com dificuldade para o exercício do voto
- 994.472 classificados na categoria “Outros”
É o maior eleitorado PcD já registrado pela Justiça Eleitoral brasileira.
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Acessibilidade nas urnas: o que o TSE garante
Participação política não é só poder votar ou se candidatar. É poder chegar ao local de votação, encontrar uma seção acessível e ter os recursos necessários para exercer o direito.
As Eleições 2026 terão 220.577 seções eleitorais com acessibilidade, ante 156.296 em 2022. Um avanço concreto.
O TSE também criou o programa Seu Voto Importa, que prevê transporte especial para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que não tenham meios próprios para chegar ao local de votação. Além disso, a Justiça Eleitoral garante recursos de acessibilidade e atendimento prioritário para esse público.
O que esses números não respondem, e por que importa perguntar
524 candidatos com deficiência num universo de 20.829 candidaturas totais. Menos de 3%.
Num país com 14,4 milhões de pessoas com deficiência, 7,3% da população, esse percentual não reflete a presença real desse grupo na sociedade brasileira.
Isso não é acusação a nenhum partido ou instituição. É um dado que merece ser acompanhado, e que coloca em evidência algo que vai além das eleições: a inclusão política de pessoas com deficiência ainda está muito aquém do que o tamanho desse grupo justificaria.
Eleitores com deficiência cresceram 42% em quatro anos. Candidatos cresceram 7,2%. A diferença entre essas duas curvas é onde a conversa sobre representatividade real precisa começar.
Você acompanha algum candidato com deficiência nessas eleições? Acredita que a representatividade política de PcDs tem avançado, ou ainda está muito aquém do necessário? Conta nos comentários.

