Bel Kutner fala sobre o filho com autismo e esclerose tuberosa: “Cada dia é um exercício de amor e paciência”
A atriz Bel Kutner emocionou a web ao abrir o coração sobre a relação com o filho Davi, de 19 anos, diagnosticado com autismo e uma doença genética rara e degenerativa, chamada esclerose tuberosa – uma condição crônica que pode causar tumores benignos no cérebro e em outros órgãos, afetando o desenvolvimento neurológico e o comportamento.
m entrevista ao jornal Extra e a Revista Quem, a atriz falou sobre a rotina com o adolescente e refletiu sobre os aprendizados, as dores e as transformações que a maternidade atípica trouxe para sua vida.
Segundo Bel, quando está bem, Davi gosta de brincar feito criança. “Ele ainda é muito infantil. Gosta de ver filme, de trocar ideia, de caminhar, adora mato e natureza. Mas exatamente por conta dessas fobias sociais que ele foi desenvolvendo nos últimos anos, na adolescência, fica mais difícil de estar com ele em lugares com outras pessoas porque ele entra em crise, fica em pânico, violento, é bem complicado. Mas quando posso estar com ele em lugares com espaço e natureza, sempre vou. Ele também gosta de ir na praia com o pai. Aí ele fica muito bem”, contou.
Além dos desafios diários de criar um filho com deficiência, Bel compartilhou momentos delicados que enfrentou nos últimos anos, como a morte de seus pais — o saudoso ator Paulo José e a atriz Dina Sfat — e a separação do marido, pai de Davi. Essas perdas, somadas ao cuidado intenso que o filho exige, marcaram profundamente sua trajetória pessoal e emocional.
“A perda do meu pai foi muito sentida. O Davi já não o via com frequência, mas entendeu a ausência. Não fico usando metáforas como ‘foi pro céu’ ou ‘virou estrelinha’. Lá em casa, a gente só sabe que vida é transformação”, desabafou.
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Bel destaca que não é fácil enfrentar tantos desafios sozinha, mas que sempre buscou apoio e orientação para não se perder no caminho. Com sinceridade, ela chama atenção para algo que muitas famílias atípicas vivenciam: o esgotamento emocional e a necessidade de uma rede de suporte.
“Acho que quem tem uma pessoa autista na família tem que pedir ajuda. Tem que estar com outras pessoas, com quem possa trocar. Não existem dois autistas iguais, mas há muitos pontos em comum entre eles. E a família também precisa de tratamento”, afirma a atriz.
Ela alerta que, sem orientação adequada, é fácil cair em armadilhas comportamentais que podem, mesmo com as melhores intenções, prejudicar a autonomia da criança.
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“Com uma criança autista, você pode criar um mau hábito que depois vira um padrão difícil de quebrar. O autista precisa de uma atenção dez vezes maior. E, na tentativa de ajudar, a gente pode acabar limitando, sem perceber, a independência daquele indivíduo”, destaca.
Separada, Bel segue firme no propósito de garantir o melhor para o filho, respeitando seu tempo, suas necessidades e sua forma única de ver o mundo.
“Cada dia é um exercício de aceitação, paciência e aprendizado. Ser mãe do Davi é também reaprender a ser eu mesma.”
A história de Bel Kutner é um retrato sensível da maternidade atípica no Brasil — uma vivência que mistura amor, força e superação. Sua trajetória reforça a importância de falar sobre autismo, educação inclusiva, direitos da pessoa com deficiência e sobre o acolhimento que toda família neurodivergente merece.
Essas narrativas são essenciais para transformar a sociedade e abrir espaço para que cada pessoa, com ou sem deficiência, possa viver com respeito, empatia e dignidade.
Referências: Jornal Extra e Revista Quem

