A primeira vez que percebi que precisava escrever
Eu não comecei a escrever porque queria contar a minha história.
Comecei porque, em algum momento, percebi que já não conseguia mais deixá-la apenas dentro de mim.
Durante muito tempo, eu achei que algumas coisas simplesmente deveriam ficar no passado.
Eu vivi, segui em frente, trabalhei, construí minha família, conheci pessoas, fiz planos, atravessei outras fases da vida.
E parecia que aquilo estava resolvido.
Até que algumas lembranças começaram a voltar.
Não voltavam necessariamente como grandes acontecimentos.
Às vezes, era uma cena pequena.
Uma voz.
Um lugar.
Uma frase.
Um gesto.
E eu percebia que certas lembranças continuavam vivendo em mim, mesmo depois de tantos anos.
Foi então que comecei a entender que eu não precisava escrever para explicar o que aconteceu.
Eu precisava escrever para compreender o que aquilo tinha deixado em mim.
E, quando comecei a colocar algumas dessas memórias no papel, descobri que a história não terminava naquele dia que mudou a minha vida.
Havia tudo o que veio depois.
As perdas.
Os medos.
As pessoas que chegaram.
As que permaneceram.
As pequenas descobertas.
Foi assim que percebi que eu não estava escrevendo apenas sobre o que aconteceu comigo.
Eu estava escrevendo sobre o que ficou.
E essa foi a primeira vez que eu entendi que aquela história precisava virar livro.
Ainda não posso contar tudo.
Mas agora posso começar contar por quê.
Assista o vídeo abaixo:

