O custo emocional de silenciar sua própria história
Existem histórias que a gente não conta.
Não porque não sejam importantes.
Mas porque, em algum momento, aprendemos que é melhor escondê-las.
Às vezes, porque dói.
Às vezes, porque temos medo do julgamento.
Às vezes, porque não queremos despertar a pena de ninguém.
E, algumas vezes, simplesmente porque não sabemos como contar.
Então a gente segue a vida.
Aprende a sorrir.
Aprende a responder ‘está tudo bem’.
Aprende a falar sobre outras coisas.
E aquela história vai ficando guardada em algum lugar dentro da gente.
Eu fiz isso durante muitos anos.
Aprendi a seguir em frente sem falar sobre determinadas coisas.
Até que percebi que esconder uma história não significa que ela deixou de existir.
Ela continua fazendo parte de quem somos.
E talvez o mais difícil não seja contar para os outros.
Seja contar para nós mesmos.
Olhar para aquilo que aconteceu e conseguir dizer:
‘Sim. Isso também faz parte da minha história.’
Quando finalmente comecei a escrever, entendi que não precisava ter vergonha daquilo que vivi.
Também não precisava transformar tudo em dor.
Eu só precisava contar com verdade.
Porque algumas histórias, quando permanecem escondidas por tempo demais, acabam pesando.
E talvez colocá-las em palavras seja uma forma de finalmente respirar.
Ainda não vou contar essa história para vocês.
Mas estou aprendendo a falar sobre ela.
E esse foi um dos passos mais difíceis de todos.
Vera Garcia

