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Cadeirantes que deram a volta por cima – Parte Final

Marcelo YukaCaro leitor,

Para que possa entender melhor o texto, veja a primeira parte.

Marcelo Yuka, 43 anos, músico e paraplégico.

O acidente

“Eu ia a um show no Rio de Janeiro. Perto de casa, havia um carro atravessado na ponta de uma rua, tentando parar a tiros os carros que passavam. Freei e dei ré. Mas não sabia que havia outro carro, atrás do meu, assaltando uma menina. Os caras desse carro começaram a disparar. Recebi nove tiros e passei por 12 cirurgias.”

A recuperação

“Fiquei muitos anos em depressão, entre seis e sete. Quis desistir de viver várias vezes. A mudança no seu corpo é mais rápida do que na sua cabeça. Dia após dia, você vai descobrindo o que perdeu. Há uns dois anos, descobri a meditação e as coisas foram clareando. Fazer terapia também me ajudou.”

A volta por cima

“Assim que melhorei da depressão, tentei resgatar um pouco do homem que eu era. Faço trabalhos sociais e estou gravando um disco, que deve sair depois do Carnaval. Nunca tive problema de relacionamento [pela minha condição física].”

Mara GabrilliMara Gabrilli, 42 anos, vereadora de São Paulo, tetraplégica

O acidente

“Sofri um acidente de carro em 1994, aos 26 anos. Numa curva da serra de Taubaté, o meu então namorado perdeu o controle do carro, que rolou 15 metros barranco abaixo. Quebrei o pescoço – uma dor inesquecível. Eu não conseguia respirar direito e não mexia os braços. Fraturei a quarta e a quinta vértebras cervicais.”

A recuperação

“É claro que tive momentos de tristeza. Lembro de cenas fortes: eu, nos EUA, onde fiz minha reabilitação, olhando para o nada e pensando: ‘E agora, como é que vai ser?’. Mas em nenhum momento pensei em morrer. Percebi que não dava para ficar contabilizando o que havia perdido. Me concentrei no que tinha de ganhar para melhorar.”

A volta por cima

“Quando vi a facilidade emocional e financeira que tinha diante do problema, percebi que era privilegiada. Resolvi fundar uma organização para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Criei a ONG Projeto Próximo Passo (PPP), focada em esportes. Tenho também o Instituto Mara Gabrilli na luta pela causa dos deficientes.”

Fernando Fernandes, 28 anos, modelo e ex-Big Brother Brasil, paraplégico.

O acidente

“Dormi no volante e, quando acordei, estava na cama errada. Tinha um monte de gente de branco em volta de mim. Eu pensei: ‘Pronto, acordei no céu’. Colocaram oito pinos de titânio nas minhas costas. Fiquei bastante tempo grogue pelos remédios, e só depois percebi que não sentia as pernas. O apoio dos amigos, no hospital, foi fundamental.”

A recuperação

“No momento, estou sem movimento nas pernas. Os médicos não sabem quando e se ele volta. Então, a palavra ‘reabilitação’ tem sentido aberto. É óbvio que eu quero voltar a andar, mas tenho que ser realista e inteligente o bastante para saber que há a possibilidade de isso não acontecer. Graças a Deus, tenho lidado naturalmente com isso..”

A volta por cima

O plano A, é lógico, é voltar a andar e a trabalhar como modelo. Mas a gente tem de lidar com a realidade. Meu plano B seria voltar a praticar um esporte competitivo e disputar uma Paraolimpíada. O remo me interessa muito. O atletismo, também.”

Fonte: Revista Veja (04/11/09)

Vera Garcia

Paulista, pedagoga e blogueira. Amputada do membro superior direito devido a um acidente na infância.

2 comentários sobre “Cadeirantes que deram a volta por cima – Parte Final

  • Fátima, como é gostoso ver você sempre por aqui!!Obrigada, querida!

    beijos
    Vera

    Resposta

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