Por Deborah Prates
Será que vivo num conto da carochinha? Há na RJ uma peculiaridade que diferencia essa fábula das tradicionais. Vale dizer que na presente narrativa os seres e acontecimentos NÃO são imaginários. Então, sacudo a cabeça vibrantemente por achar que a ficção e a realidade se fundem. Estaria doida? Existo numa mentira? Em devaneio concluo que não escrevo um conto, mas aspectos da vida humana reais! Um eterno CARNAVAL?
Assistindo um debate entre os candidatos à prefeitura da maravilhosa RJ, uma carioca afirmou que as nossas calçadas estão em condições precárias. Só têm buracos e obstáculos! Era pessoa SEM deficiência quem reclamava!
Num exercício de cidadania, coloque-se no lugar de uma pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida (com membros engessados, gestantes, recém operados …), bem como de pessoa idosa. Penso sejamos mágicos, seres alados, bruxos, fadas, mesmo SOBREVIVENTES!
Convido os amigos a rever seus maus hábitos. Falo na implementação da ACESSIBILIDADE ATITUDINAL. Cidade acessível é para todos. Na próxima saída de casa enxergue a sua localidade com olhos de ver. Como assim? Repare se a portaria de seu prédio é acessível, se sua calçada está nivelada, com ou sem buracos, se há piso tátil para guiar pessoas cegas, se existe rampas com boa inclinação para deficientes físicos, se no entorno dos orelhões há diferencial para proteger os cegos, se o meio-fio tem rebaixamento, se há sinal sonoro, se existe programação visual para que pessoas surdas e com dificuldade intelectual se localize com destreza, se há rota para carga e descarga de mercadorias em geral,
etc… Difícil? Não. Basta que o leitor aguce a sua sensibilidade para perceber do que falo.
Lembre-se, se você não for atropelado precocemente pela morte, será uma pessoa idosa. Sendo assim, precisará de uma CIDADE ACESSÍVEL! Viu como temos que desvincular o verbete ACESSIBILIDADE das pessoas com deficiência? O negócio só é bom quando interessa a todos!
O Plano Diretor/RJ/2011, ao tratar dos espaços públicos, corroborou serem as calçadas, praças, praias, parques e outros, bens de uso comum. Óbvio, já que promovem a circulação das pessoas, propiciando a convivência social.
No Parágrafo Único do Artigo 19, está previsto: “O uso dos espaços públicos deverá respeitar a garantia da acessibilidade e mobilidade de todas as pessoas, em especial daquelas com deficiência e dificuldades de locomoção”.
Pois é, a realidade mostra que lei ordenando a acessibilidade, em todos os seus matizes, transborda no arcabouço jurídico. Todavia, quem as cumpre? O Gestor não está nem aí, já que não precisa de calçadas, praças, praias, e demais bens públicos acessíveis. Seu dia-a-dia é bem diferente do resto dos mortais. Os vereadores só querem fazer e votar projetos de lei, esquecendo do constitucional dever fiscalizador. Noutro ângulo o Ministério Público não dá conta da demanda. Vivemos na parede do infinito? Frente a um ciclorama? Quiçá nos cartões postais que o Sr. Gestor mostra ao Planeta?
No próximo outubro eleitoral, se nos unirmos em prol de uma RJ com maior bem-estar para todos, teremos força pra mudar esse quadro de DESUMANIDADE. Nossa dignidade – bem sem preço – não está à venda!
Parece mesmo que estamos engessados/enlatados! Pereceu a nossa ESPERANÇA? Esquecemos de sonhar, amar, lutar … “E agora josé”? Abraham Lincoln, em seus pensamentos, tem ótima definição para a nossa inércia ao dizer: “Quase sempre a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão de ser feliz”.
Carinhosamente.
DEBORAH PRATES
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