Qual bicho que te rói???

Márcia Gori
Caro leitor,
O artigo abaixo, é da querida amiga Márcia Gori*. Esse artigo foi publicado na Revista Reação na edição de agosto/setembro.
Há dias atrás deparei-me com uma história que me deixou indignada, enojada e ao mesmo tempo triste com tantas injustiças que assistimos em nosso dia a dia, com a sensação que estamos vislumbrando isso com muita normalidade, como se isso não fizesse parte de nossa sociedade, afinal não é problema nosso, mas sim dos outros.
Uma mulher com deficiência americana, Abbie Dorn, sofreu danos cerebrais após o nascimento de seus filhos e, com medo de chocar as crianças, o ex-marido as proibiu de ver a mãe. O que faz um homem que jurou amor em frente ao altar ter uma atitude dessas? Será preconceito? Falta de amor por esta mulher? Ou falta de amor pelo próximo? Preconceito é falta de amor ou informação?
Sabe-se lá o que passou pelo coração e mente deste homem quando tomou esta postura diante de tal situação, mas a reflexão me levou a algumas conjecturações internas inquietantes que me afligiram por diversos dias e novamente sem respostas…
Afff!!! Essas ocorrências já estão ficando cansativas, visto que sempre fico indagando-me sobre possíveis situações para que eu possa entender um pouquinho a alma humana, entretanto sem novidades… é frustrante!!!
Passados alguns dias após a leitura dessa reportagem perguntaram-me se o teor de minhas palestras são de experiências pessoais ou são de conteúdo didáticos… pasmem!!! Respondi da seguinte forma – não falo de pornografia, falo sobre direitos!!! Terminou o assunto por aí mesmo, porque não tinha mais nada para se fazer referência.
Agora fica a pergunta no ar… qual bicho que te rói? Esse tal de preconceito que a cada dia está mais explicíto em nosso meio, colocando situações de dor, angústia para quem o sente na pele, com assédios morais, enfim aonde isso vai terminar?
Conviver com a diversidade não é fácil e sabemos que é algo novo para toda a sociedade, não há estrutura para que possamos ter uma qualidade de vida decente, parece que tudo ficou mega problemático, não há como absorver tantas questões diferentes em nosso meio, sem esbarrar neste bicho de sete cabeças chamado preconceito.
Como conviver com este monstrinho? Porque toda história tem três versões: a minha, a sua e a verdadeira, mesmo o preconceituoso ele sofre em coexistir com o objeto que ele rejeita, abomina e não entende. Caso pergunte para ele o porquê deste sentimento, não terá uma resposta convincente, devido ser a negação de algo que ele teme, não entende ou despreza por alguma experiência que vivenciou ou então foi incutido por pessoas próximas.
O discriminado sofre pelo desprezo, não entendimento da sua condição, pela falta de aceitação do social, como não sofrer, se passamos a vida procurando ser amados, aceitos por todos, qual versão é a melhor?
O que é preconceito? preconceito (pre- + conceito) s. m.
1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial;
2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos= INTOLERÂNCIA;
3. Estado de abuso, de cegueira moral;
4. Superstição.
A melhor versão é a verdadeira, qual seria? O diálogo e a informação, visto que após esgotados estes recursos o que reina mesmo é a má vontade e a má-fé de entender o outro lado da situação, em querer a aproximação, a aceitação da condição do diferente, da diversidade.
A mulher sofre com o preconceito do gênero, da condição imposta pela inferioridade que a sociedade pressupõe que ela tenha, agravada com a deficiência torna-se mais acirrada esta circunstância, pois acredita-se que nós não temos condições de viver as nossas vidas sozinhas, sexualidade, família, filhos e o mais engraçado, sermos amadas e respeitadas.
Diante disso, teremos ainda que conviver com estas e outras historinhas da “carochinha” em nossos jornais, até o dia que tivermos consciência do nosso “eu” e sairmos a luta pelo nosso espaço, conquistando em primeiro lugar o nosso próprio respeito para posteriormente apoderar-se do respeito social e do coletivo.
Então… após alguns séculos… o preconceito será enterrado, quando houver entendimento!!!
Até o nosso próximo encontro!!!
* Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, empresária Assessoria de Direitos Humanos – ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência – CEAPcD/SP 2007/2009, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP, membro do CAD – Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Miss Tattoo 2010, palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de CastroFotografias.
E-mail: [email protected]
Blog: http://mrciagori.blogspot.com/
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Comentários (2)
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Daniel
Ela toca na ferida sem dó…
bruno josé freitas
Ela é bonita.