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Campos do Jordão: longe de ser lugar acessível

Fotógrafa Kica de Castro, Marcia Gori e equipe de jornalismo da Revista Reação.

Fotógrafa Kica de Castro, Marcia Gori e equipe de jornalismo da Revista Reação.

Aconteceu no Vale do Paraíba, nos dias 19,20 e 21 de agosto de 2011 o primeiro diálogo sobre inclusão e acessibilidade em Campos do Jordão, São Paulo. O palco para esse evento foram às dependências do Campus Platanus da Univap (Universidade do Vale do Paraíba).

A cidade de Campos do Jordão é muito conhecida por ser uma cidade turística. Devido ao charme, a arquitetura bastante peculiar e ao clima, a cidade é chamada de “Suíça Brasileira”. Muitas vantagens são encontradas nesse município brasileiro, localizado precisamente na Serra da Mantiqueira, porém, quando se fala em inclusão de pessoas com deficiência, os pontos são bem negativos.  Há muitas barreiras arquitetônicas,  pousadas e hotéis não são adaptados para os turistas com deficiência. Quando são questionados sobre esse assunto, os gerentes das mais diversas pousadas e hotéis, dizem que a responsabilidade não é deles. Fica a pergunta no ar: será que eles não observaram que há por volta de 30 milhões de consumidores com algum tipo de deficiência que pagam seus impostos e que há uma legislação que assegura adaptações em estabelecimentos comerciais?

Ressaltamos que se a cidade de Campos do Jordão não oferece acessibilidade para o turista que tem deficiência, obviamente não oferece o mesmo para os moradores desse segmento.

Lamentavelmente em Campos do Jordão, como em muitas cidades brasileiras, não há uma política efetiva de inclusão, não há sensibilização do poder público para essa questão.  Um sentimento de omissão aparece, consciente ou inconscientemente, quando surge a questão dos direitos da pessoa com deficiência.  Há inúmeras leis sobre acessibilidade, entretanto não são cumpridas, pois não há cobrança e penalização.

Durante o evento, o tema do debate foi “Encarar a deficiência como desabilidade e reduzir distâncias”. De acordo com Ingrid Nendza, organizadora do evento e parte do grupo Amigos em Ação, “a ideia surgiu da necessidade de buscar respostas e possibilidades que promovam e garanta às pessoas, o acesso aos bens e recursos constituídos pela sociedade”.

O debate serviu para alertar a população e aos governantes que medidas precisam ser tomadas de forma urgente, em vários setores; audiodescrição, lingua de sinais brasileira, direitos de ir e vir, educação, mídia, turismo, mercado de trabalho, sexualidade e a beleza da pessoa com deficiência. Esses e outros assuntos fizeram parte do debate.

Entre os palestrantes presentes estavam a deputada federal Mara Gabrilli, a fotógrafa Kica de Castro e a palestrante sobre sexualidade Márcia Gori.

Esperamos que debates como esse sirvam de reflexão e que, principalmente, ações sejam efetivamente colocadas em prática para melhoria do cenário atual.

(Texto escrito por Kica de Castro, Vera Garcia e Márcia Gori)

Kica de Castro Marcia Gori e grupo de pessoas que assistiram a palestra.

Kica de Castro, Márcia Gori e grupo de pessoas que assistiram a palestra.

 

Palestra: Ponto S - Sensualidade com Kica de Castro

Palestra: Ponto S - Sensualidade com Kica de Castro

 

Palestra: Ponto S - Sexualidade com Márcia Gori

Palestra: Ponto S - Sexualidade com Márcia Gori

Veja:

Sobre o Autor

Vera Garcia

Paulista, pedagoga, blogueira e modelo da Agência Kica de Castro. Colunista do site Vida Mais Livre e do Jornal Inclusão. Amputada do membro superior direito devido a um acidente na infância.

19 Comentários

  • A iniciativa dos organizadores em promover o debate foi um grande passo. Isso prova que se cada um fizer a sua parte teremos um mundo melhor. O debate foi o primeiro passo para alertar os pontos que precisam ser mudados com urgência. SOS Campos do Jordão para assuntos de acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência.

  • Após debate, que ações venham melhor acessibilidade em Campos do Jordão.
    Kika e Márcia parabéns pela palestra. Ao trio: Vera, Kika e Márcia parabéns pelo texto. Aos organizadores, parabéns pela iniciativa e aos politicos de Campos do Jordão em breve espero dar os meus parabéns.

  • A cidade não pensa em acessibilidade para as pessoas com deficiência que são moradoras, fico imaginando a recepção das pessoas com deficiência que vão fazer turismo. Uma cidade que vive do turismo tem que oferecer condições arquitetônicas para os mais diversos consumidores: deficientes, pessoas idosas…

  • Olá mais uma vez aqui para parabelizar a matéria esta ótima, é uma ressalva importante e necessária sobre a falta de acesso em cidades turisticas e mais uma vez Parabéns Kica de Castro tenho muito orgulho de sua modelo!
    beijos Rayane Landim

  • A Kica e eu estivemos neste evento e realmente Campos do jordão está longe do paraíso para a pessoa com deficiência.
    O evento foi legal pq trouxe uma realidade para que todos nós, cidadãos brasileiros vejam que cidades turisticas não estão preparados para o turista com deficiência, além das barreiras arquitetônicas e urbanisticas, tb temos que nos atentar as barreiras atitudinais de forma velada na resistência em não colocar acessível a rede de hotelaria, as calçadas, o comércio, shoppings, etc…
    Somente se corrige esta falha da sociedade saindo as ruas, passando por adversidades, rompendo obstáculos para que todos se conscientizem desta divida social para com nosso segmento.
    Parabéns vereadora Joaquina e Ingrid Nentza pela ousadia!!!

  • Tiro o meu chapéu para iniciativas pequenas como essa de Campos do Jordão. Uma vez que o poder publico não faz absolutamente nada, ação como essa dos Amigos em Ação é prova que devagar se chega ao longe. Parabéns pela iniciativa, pelas palestras de qualidade como assuntos que pouco são falados com sexualidade e a beleza da pessoa com deficiência. Tudo que é feito em nome da inclusão, tem o seu valor, principalmente quando se tem pessoas que falam do assunto com qualidade. Tive a oportunidade de ver a palestra da Marcia Gori na Reatech 2011, espero em breve ver a palestra da fotógrafa Kika de Castro, vi umas fotos e achei perfeito o olhar para o assunto.

  • o que nos deixa tristes e até indignados é saber q mesmo após a lei de acessibilidade está em vigor já há algum tempo absurdos como esse de campos do Jordao e muitas outras cidades brasileiras ainda aconteça..
    É isso ai meninas parabens a todas pelo belissimo trabalho..

  • OS DIREITOS HUMANOS OBJETIVAM A PROTEÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA CONTRA O LIVRE ARBÍTRIO DO PODER ESTATAL, E ESTABELECER AS CONDIÇÕES MINIMAS DE VIDA DIGNA QUE TODOS DEVERIAM DESFRUTAR EM SUA SOCIEDADE. RESPEITAR A DIGNIDADE DA PESSOA É RESPEITAR A SI MESMO E A PRÓPRIA ESPÉCIE HUMANA, NO ENTANTO ESTE RESPEITO ESTÁ INTIMAMENTE LIGADO AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DA NÃO DISCRIMINAÇÃO, FUNDAMENTOS DEMOCRÁTICOS DO ESTADO QUE OBJETIVAM NÃO SÓ A APLICAÇÃO DO DIREITO, MAS TAMBÉM O DESENVOLVIMENTO SOCIAL ATRAVÉS DA INTEGRAÇÃO DOS INDIVÍDUOS NA SOCIEDADE
    UMA SOCIEDADE INCLUSIVA É AQUELA QUE ACREDITA NO VALOR DA DIVERSIDADE HUMANA, CONTEMPLA AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS SEM DISCRIMINÁ-LAS, E PROMOVE MUDANÇAS FUNDAMENTAIS EM SUA CULTURA E PRÁTICAS ADMINISTRATIVAS, A FIM DE INCLUIR EM SEUS SISTEMAS SOCIAIS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAS.
    É PRECISO ACABAR COM O PRECONCEITO E REINVIDICAR O DIREITO DAS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA COMO UM PLENO EXERCÍCIO DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL, PRIMADO PELO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA E GARANTIDOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PELO PRINCÍPIO DA IGUALDADE DE DIREITOS E OPORTUNIDADES.

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