Conheça a diferença conceitual entre inclusão e integração

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A integração nos induz a acreditar que podemos escolher quais seres humanos têm direito a estar nas escolas, nos parques de diversões, nas igrejas, nos ambientes de trabalho, em todos os lugares. É praticado há décadas mas, desde os anos 80, começou a ser questionado pelo então emergente movimento internacional das organizações de pessoas com deficiência. Este movimento denunciou a injustiça do modelo integrativo, que só aceitava inserir na sociedade as pessoas com deficiência que fossem consideradas prontas – ou quase prontas – para conviver nos sistemas sociais gerais. Prontas no sentido de aptas para aprender, trabalhar, se expressar, se locomover mais ou menos bem pelas ruas das cidades. E caso não estivessem prontas? Que se esforçassem para estar…

Num contexto integrativo, o máximo feito pela sociedade para colaborar com as pessoas com deficiência neste processo de inserção seriam pequenos ajustes como adaptar uma calçada, um banheiro ou até receber uma criança com deficiência mental na sala de aula, mas só se ela pudesse “acompanhar a turma”. Como raramente crianças com deficiência mental podem ter o mesmo ritmo de aprendizagem dos alunos sem deficiência mental, era certo que em breve, no máximo em dois ou três anos, aquele aluno seria sumariamente devolvido para a família.

(Veja a diferença entre Desenho Adaptável e Desenho Universal)

A inclusão, ao contrário, nos aponta para um novo caminho. Nele, nossas decisões são guiadas pela certeza de que o direito de escolher seres humanos é filosoficamente ilegítimo, além de ser anticonstitucional.

Uma sociedade inclusiva tem compromisso com as minorias e não apenas com as pessoas com deficiência. Tem compromisso com elas e com sua diversidade e se auto-exige transformações intrínsecas. É um movimento com características políticas. Como filosofia, incluir é a crença de que todos têm direito de participar ativamente da sociedade. Como ideologia, a inclusão vem para quebrar barreiras cristalizadas em torno de grupos estigmatizados.

A inclusão é para todos porque somos diferentes.

Um pouco da história

A concepção de um mundo-mãe sempre viveu no desejo da humanidade, em diferentes épocas e civilizações. Mas foi só em 1981, ao instituir o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, que a ONU oficializou o embrião do conceito de sociedade inclusiva. Entidades não-governamentais e governamentais, a mídia mundial, nações de portes diversos no cenário econômico- político internacional reafirmaram por 365 dias a necessidade de o planeta reconhecer com firmeza os direitos das pessoas com deficiência.

Em 20 de dezembro de 1993, no final da Década das Nações Unidas para Pessoas Portadoras de Deficiência, a Assembléia Geral da ONU assinou uma outra e decisiva resolução – a de no 48/06 – que adotou o documento Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência. Nesse documento deu forma às idéias do programa de 1982. São 22 normas que indicam os requisitos, as áreas-alvo e as medidas de implementação da igualdade de participação das pessoas com deficiência na sociedade. Mas esta conquista não ocorreu de um dia para outro, em um passe de mágica. Ela é resultado de um longo processo de luta e modernização no campo dos direitos humanos das pessoas com deficiência,
que avançou do conceito de segregação institucional, passando pelo de integração até o chegar ao atual modelo de sociedade inclusiva.

O paradigma da integração, norteador de práticas sociais e políticas públicas pertinentes a pessoas com deficiência durante cerca de 40 anos (décadas de 50 a 80), teve seus méritos baseados no fato de que surgiu em substituição ao paradigma da segregação institucional.

Em que consistia essa prática? Para entendê-la melhor, é necessário retroceder mais ainda na história e lá encontrar o paradigma da exclusão das pessoascom deficiência.

No artigo “Como chamar as pessoas que têm deficiência?”, de Romeu Kazumi Sassaki(publicado em Vida Independente, julho de 2003), o autor descreve que durante séculos as pessoas com deficiência foram consideradas inúteis –um peso morto para a sociedade, um fardo para a família e sem valor profissional. Chamadas de ‘inválidas’, foram excluídas da sociedade, muitas delas literalmente exterminadas em certas culturas.

Veja abaixo as principais diferenças entre Integração e Inclusão.


Fonte:  Mídia e deficiência / Veet Vivarta, coordenação. – Brasília: Andi ; Fundação Banco do Brasil, 2003.

Veja:

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12 Comentários

  1. Taísa Gomes Ferreira disse:

    Olá querida!

    Que bom que você publicou essa matéria em seu blog! Espero que as pessoas leiam, reflitam e comecem a lutar pela inclusão e não mais pela integração.

    Bj,

    Taísa Gomes Ferreira

  2. Vera (Deficiente Ciente) disse:

    Olá Taísa! Tudo bem?
    Quando encontrei esta matéria, fiquei feliz, porque a explicação é bem clara a respeito da diferença entre inclusão e integração.
    Agora estou mais feliz porque você gostou. rs

    Bjs,

  3. Flávinho Caldeira disse:

    Muito bem escolhida essa matéria, gostei muito!! Exemplifica de maneira bem clara, a diferença entre duas coisas, que parecem iguais, mas que são muito diferentes.
    Vera….você se supera, mais que uma tremenda blogueira, você é uma tremenda pessoa!!

  4. Vera (Deficiente Ciente) disse:

    Obrigada, Flávinho! Como é bom receber sua visita!

    Bjs,

  5. Vera (Deficiente Ciente) disse:

    Karina, obrigada pelo carinho!

    Beijos,

  6. Lenize de Oliveira Tinoco disse:

    Obrigada Vera por enriquecer minha vida.
    Vejo matérias aqui que não são discutidas em cursos, ou se são… ficam no plano tecnico.
    A pluralidade dos assuntos abordados aqui fazem toda a diferença.
    Bjs.

  7. Mariah disse:

    Vera..adorei conhecer o seu blog. tenho uma filha com 3 anos, tem Sindrome de down, então desde o seu nascimento resolvi levar informações sobre a síndrome ao maior número de pessoas que eu puder, e esse quadro com a diferença entre inclusão e integração é a melhor forma que pude para encontrar para poder defini-las. Muito obrigado.

    http://clareardown.blogspot.com

    Blog da minha Clara

    Bjus com muita luz

    • Vera Garcia disse:

      Olá Mariah! Obrigada!

      Fui conhecer seu blog. Parabéns pela iniciativa! Tenho certeza que sua experiência ajudará muitas mães de crianças com deficiência.
      A Clara é muito linda!!

      Beijos,

  8. Prezada Vera!
    Quero te agradecer pelas ótimas matérias. Esclarecimentos muito importantes e sempre oportunos como este, diferenciando “Integração de Inclusão”`. Pois neste momento que se questiona o atendimento dado pelas APAES na área da educação, mais do que nunca está se levantando este questionamento causando muita confusão e a falta deste entendimento.
    Valeuuu….
    Obrigada
    Silna

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